sexta-feira, 3 de julho de 2009

Após reclamar do preço do lanche homem vai preso

O estadunidense Jeremy Lloyd Martin, de 23 anos, foi preso em Clackamas, no estado do Oregon (EUA), após ter ligado para o serviço de emergência da polícia para reclamar que um restaurante fast food tinha "roubado" ele, segundo reportagem da emissora "Komo News".

Martin foi acusado do uso impróprio do serviço de emergência (911). Ele acabou passando uma noite na prisão. De acordo com a polícia, o homem disse que tinha pago US$ 10 no drive-thru de uma loja do McDonald"s, mas só recebeu um hambúrguer e uma porção de fritas.

"Essa não é uma questão policial", disse o agente que atendeu a chamada. Ele destacou ainda que o jovem deveria procurar o gerente do restaurante para resolver a questão.
No entanto Martin ligou novamente para o 911 e exigiu que fosse enviado um policial. "Essa é uma emergência", disse ele. "Fui roubado em US$ 8", acrescentou. "Se você continuar ligando para o 911, vai ser preso por uso indevido do serviço", respondeu o policial.

Como voltou a ligar, pela terceira vez, para a polícia, Martin acabou preso. Mais calmo e depois de já ter saído da cadeia, ele afirmou à emissora de TV que foi ridículo ter ido para a prisão por causa de apenas US$ 10.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Entrevista: Wander Thomaz

Para encerrar os post’s sobre Rádio e Jornalismo, apresento uma entrevista que realizei com Wander Thomaz, coordenador da Rádio Globo Cultura de Uberlândia e narrador esportivo.


Wander apresenta os programas “Em Cima do Lance” e “Globo Esportivo”, na Rádio Globo Cultura, além de ser o narrador oficial da rádio, nos jogos do Uberlândia Esporte Clube (UEC). Trabalha no rádio há 20 e é identificado carinhosamente pelos ouvintes como “Gigante de Minas”. Desde 2003, ele é a principal voz de “gol” do UEC. Seus programas geram grandes repercussões na mídia esportiva local. Admirado e respeitado pelos colegas de profissão, nesta entrevista, Wander fala sobre o veículo rádio; suas impressões e visões. E como não poderia deixar de ser, o profissional também fala sobre narração esportiva, momentos marcantes de sua carreira, situações engraçadas e perspectivas profissionais. Acompanhem.

- No inicio da carreira, você trabalhou apenas em dois veículos: rádio Educadora e rádio Cultura.. De plantonista passou a repórter e, desde 1998, assumiu a posição de coordenador. Como você avalia sua trajetória no rádio?

Comecei em 1988. Tínhamos muitas dificuldades para levantar informações. Não tínhamos celular e muito menos internet. Na Educadora comecei em uma função, hoje extinta, que era conhecida como rádio escuta. Como o próprio nome diz, ficava escutando as rádios de São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Essa era a nossa prioridade e, também, era o único meio de obtermos informações rápidas. Exerci essa função durante oito meses. Posteriormente, recebi o convite para exercer o mesmo trabalho na Rádio Cultura. Em 1990, mudei de função e passei a trabalhar com plantão esportivo. Convidei três amigos, para montar a minha própria equipe de plantão esportivo. Sempre fui muito rápido nas informações. Muito rápido mesmo. Saía um gol em São Paulo/Rio, das principais equipes do futebol brasileiro, e em menos de trinta segundos eu já informava. E aí eu me especializei no plantão esportivo e fiquei durante doze anos. Em 2002, meio contra minha vontade, fui colocado para ser repórter setorista do Uberlândia Esporte Clube. Foi quando pude transmitir vários campeonatos brasileiros, viajando por esse Brasil todo. Mais tarde vieram às transmissões da Unitri Basquete e de repórter esportivo, ainda em 2002, fui colocado como coordenador do departamento de Esportes. Paralelo a isso, exercia a função de repórter setorista do Uberlândia, até que chegou a oportunidade de mais um desafio: eu passei a ser narrador de futebol. A princípio não queria porque achava que não tinha garganta, mas o superintendente da Rádio, Ricardo Nery, me disse: ou você pega ou você larga (risos). E eu abracei e estou nessa função até hoje. Em 2003, fui promovido para ser coordenador artístico. E nesse caso, é muito complicado. Você é um verdadeiro pára-choque. O coordenador artístico de uma rádio é responsável pelo sucesso ou pelo fracasso. Se você é líder de audiência é o coordenador artístico. Se você perde em algum momento ou se você não é líder de audiência, é o coordenador artístico. Passaram-se 21 anos. Eu estou na empresa desde 1988. De rádio escuta até coordenador de programação.


- Rapidez e o dinamismo são características do plantão esportivo, certo?


Sim. É preciso ser rápido e preciso. Porém, não se pode confundir a rapidez com pressa. Parece que ser rápido e ter pressa são a mesma coisa, mas não são. Se você for afoito, você informa errado. E um detalhe: no plantão esportivo você jamais pode falar a palavra ACHO. A precisão com que trabalhávamos na década de 1990, uma época muito rica no rádio de Uberlândia, fez com que nosso trabalho fosse reconhecido com várias premiações.

- Você possui formação acadêmica na área de Comunicação?

Não. Sou educador físico. Mas entendo que o curso de Jornalismo é da mais alta importância. Hoje sou um jornalista, mas não adianta. Encontramos aqueles jornalistas da década de 1980 que conseguiram o registro definitivo, mas sou contra. Nunca quis. É muito importante a formação acadêmica.

- O rádio é um veículo de comunicação que exerce uma grande influência sobre a mentalidade da população, de questões financeiras a emocionais. Como você avalia esta situação?

O rádio é um veículo fascinante. Primeiro, ele só tem essa função que você me colocou desde que ele preste serviço a sociedade. Se você tiver um rádio que não preste serviço a sociedade, que seja um elo entre a comunidade e os poderes constituídos, você está fadado ao fracasso. Então, a partir do momento que a emissora passa a prestar serviço, ela [a emissora] começa a realizar o jornalismo comunitário absoluto. Nós estamos onde o povo está. Então o ouvinte sente que a emissora está ao lado dele. E a partir daí, ele forma sua opinião. O jornalismo executivo é muito bonito, muito interessante, mas eu entendo que o jornalismo comunitário, que é a área que a gente atua, ainda dá mais resultado.

- A Rádio Cultura afiliou-se a rede Globo de Rádio. Você acha que para se destacar, necessariamente, uma rádio precisa se afiliar a uma rede maior? Trabalhar, hoje, como afiliada é mais difícil?

Uberlândia é uma cidade completamente diferente das outras. Geograficamente ela é muito estratégica e mais da metade da população não é de Uberlândia. É uma cidade que tem muita gente de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e especialmente nordestinos. E então quem faz rádio só para Uberlândia fracassa no Ibope. Uberlândia, como eu disse no inicio da resposta, é diferente. A gente precisa fazer rádio para todos. E em cima de pesquisa, a Rádio Globo emplaca perfeitamente naquilo que a cidade exige em relação às transmissões do futebol carioca, paulista, mineiro e de Uberlândia. Entendo que ninguém nessa cidade faria uma programação 100% local. Hoje, o ouvinte é exigente e quer informações rápidas e, principalmente, entretenimento. O ouvinte quer se sentir como parte da emissora e a Globo é isso. Esporte e entretenimento 24 horas. É uma rádio popular com qualidade. Não é uma rádio popularesca. Na primeira pesquisa Ibope pós filiação, a nossa emissora foi um sucesso. Uberlândia exige isso: fazer rádio para todos e para todas as regiões do País. Esse é o caminho. Os programas em rede não são feitos visando o Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Existe uma uniformidade. São programas de prestação de serviços, de interesse popular. Não é o mesmo que ouvir, por exemplo, uma “rádio do Rio de Janeiro”. Você esta ouvindo a Rádio Globo, que é de interesse extremo e popular também para Uberlândia.

- A programação "amiga", intimista, voltada para prestação de serviços, música e informação são as principais características da rádio AM. Já as rádios FM se caracterizam por sua programação voltada para jovens com muita música, brincadeiras, sorteios e distribuição de ingressos para shows. Em sua opinião, quais as diferenças entre as rádios AM (amplitude modula) e FM (freqüência modulada)?

Vou te explicar um detalhe: nosso trabalho aqui é para acabar com o AM. Somos Rádio Globo Cultura. Por exemplo, nós temos uma audiência incrível na internet. O que internet tem a ver com AM? Nada. Você está em seu computador, clica na Globo Cultura e percebe que não existe nada de AM. Você está ouvindo a Globo Cultura. E cada vez mais o ouvinte deixará o radinho de lado e passará para a internet. Por isso, esse AM que você me colocou já está sendo deixado de lado há muito tempo. Até porque, desde julho passado, a Rádio Globo Cultura é digital. Mas não vão abandonar o radinho de pilha, pelo menos até 2016. Este AM está acabando. Agora, quando a FM surgiu e apareceu em Uberlândia, em 1980, sem dúvida era para tocar música e isso prevaleceu nas décadas de 1980 e 1990. Foi um impacto fora de série. Mas o FM terá que passar por uma transformação urgente. O FM também será para prestar serviços e, principalmente, levar notícias de forma rápida. Quando você sintoniza em FM, certamente, quer ouvir música. Ninguém gosta de escutar propaganda durante seis ou sete minutos. Por isso, cada vez mais você terá uma sessão de músicas preferidas em seu computador, em seu MP3 ou em seu Ipod. Então, o FM vai ter que dar uma mudada. Com a entrada do digital e a revitalização do sinal AM, as emissoras FM serão “engolidas”. Se não começarem a levar informação, o AM vai deixar as emissoras FM para trás porque música você tem no seu celular, no seu MP3.

- O Rádio Digital está presente nos Estados Unidos, Canadá, México. No Brasil, as primeiras autorizações para a execução dos testes já aconteceram. Uberlândia recebeu autorização do Ministério das Telecomunicações para realizar transmissões digitais no rádio a partir deste mês (julho). Como você vê a inclusão do processo digital em rádio? A aceitação do público preocupa? Você acha que o tradicional rádio vai ser abandonado?

Não. Participei de um Congresso das afiliadas da Rádio Globo em São Paulo. Fiquei na capital paulista durante 4 dias e percebi que está muito fria a questão do rádio digital no Brasil. Por quê? Dia 14 de julho, como já informamos, aqui [Rádio Globo] se transformará em rádio digital, mas isso é pioneirismo deste grupo [Wander se refere à Rede Integração. Grupo do qual a Rádio Globo pertence] liderado pelo doutor Tubal [de Siqueira e Silva, presidente da Rede Integração]. Só que os fabricantes não estão esquentando em fabricar o rádio digital. Andei na cidade de São Paulo inteirinha procurando um radinho digital para eu comprar e não encontrei. E senão encontrei na 25 de Março ou nesses shoppings especializados que, existem aos montes em São Paulo, vou encontrar onde? Procurei por toda cidade: a pé, de táxi, de metrô. Não existe rádio digital em São Paulo. E até chegar esse rádio digital em todas as esquinas de Uberlândia, a internet já sucumbiu o rádio digital há muito tempo. O futuro do rádio é internet. Pode ter certeza absoluta disso. Nem o rádio digital vai superar a Internet. Eu entendo que é mais um projeto que vai chegar ao Brasil e não vai pegar, por que existe um fenômeno chamado internet. Quem não investir em boa qualidade de áudio na internet está fadado fracasso.

- Então como fica a situação das rádios que já transmitem com o sinal digital?

Na verdade é uma propaganda enganosa. Elas estão com o transmissor digital, mas não estavam autorizadas a operar. O nosso transmissor [da Rádio Globo Cultura] é digital. Internamente nos temos som digital. Mas agora temos a liberação. Aqui em Uberlândia, carros importados e de altíssimo valor já vêm com o sinal digital. Mas são poucos. Em São Paulo você chega nos balcões especializados em tecnologia e pergunta sobre o rádio digital. Todos entendem que são os aparelhos que possuem o visor digital. Não entendem queremos o HD. Eles [os vendedores] não sabem nem do que se trata. Então vai demorar para o rádio digital vingar e até lá, na minha opinião, todo mundo vai ter o seu computadorzinho, a internet e, enfim, vai demorar muito tempo ainda encontrar o rádio digital, principalmente aqui em Uberlândia.

- Em rádio, a locução é um elemento essencial e imprescindível por transmitir as informações verbais e determinar a forma do conteúdo radiofônico. Você utiliza alguma técnica específica?

Eu sempre trabalho com a voz. Até porque eu já sou locutor há quase 20 anos e a gente sempre tem que fazer um tratamento com a garganta. Isso por que aparece o nódulo. Na verdade é o famoso “calo” na garganta, falando bem simples. Então, existe toda uma técnica de exercícios para você aquecer a voz antes de entrar no ar. Mas olha, a verdade é a seguinte: pouquíssimos locutores fazem isso. É uma coisa muita chata. Se você fizer o aquecimento de voz ao pé da letra, é muito chato, é muito complicado (risos). Uma coisa muito importante para o rádio de hoje: já foi o tempo em que o locutor de rádio tinha que ter aquele vozeirão. Hoje, a comunicação precisa ser a mais simples possível. Tem que ser da mesma forma que estamos conversando aqui nessa entrevista. Aquele negócio de impostar a voz já ficou para trás. A locução deve ser normal para não doer o ouvido. É falar simples com as pessoas, sem impostar a voz. O eco também já acabou no rádio. A única coisa que você não precisa se preocupar é se a voz é feia ou bonita. Isso hoje não existe! Você senta no estúdio para fazer locução e tem que conversar com o ouvinte normalmente. Assim, sua mensagem é clara e direta. Não cometer os erros básicos de português, por que dói o ouvido e te joga lá pra baixo. A década de 1980 é que tinha que ter eco e locutor com “boa” voz.

- Uma das funções mais representativas da locução em mídia e inclusive em jornalismo é a narração esportiva. Você, atualmente, é o narrador oficial dos jogos do Uberlândia Esporte Clube e, sem dúvida, é a voz de gol mais conhecida do clube. Como é realizar esse tipo de trabalho?

É um sonho. Eu não vou mentir pra você. Quando eu te respondi das situações que foram acontecendo, desde rádio escuta até coordenador de esportes e narrador, era um sonho que eu não acreditava muito. Hoje, quando eu escuto as minhas narrações eu morro de vergonha.

- Sério?

Sério. Morro de vergonha. São horríveis. Eu sou muito exigente comigo mesmo. Mas muito exigente mesmo. No meio de uma frase quando eu perco o fôlego fico irritadíssimo. Eu sinto um prazer enorme em saber que, principalmente nos jogos fora de Uberlândia, sou o “cara” que está representando uma multidão de ouvintes. E o que mais me preocupa é passar o que realmente acontece em campo. Por exemplo, a falta. Criei um termo que eu uso muito (risos): bico da grande área. Mas não existe um “bico” na grande área? No encontro das linhas de fundo com a linha lateral. Eu cometo uma redundância absolutamente de propósito: curva da meia lua. A meia lua é toda em curva. Então não precisa falar curva. Mas isso é importante para o rádio. O narrador tem que fazer o ouvinte ver o jogo pelo rádio. Viajar na emoção. Por isso, que a narração no rádio é rápida demais e diferente da televisão.

- Você costuma usar algum jargão?

Não. Uso pouco. A galera é que me apelidou de Gigante de Minas e eu lancei o “belebelebele”: um “beleza” falado mais rapidamente. Esse jargão pegou e é uma febre na cidade. Fora isso, não gosto muito.

- Durante a cobertura esportiva, lado a lado com o Uberlândia Esporte Clube (UEC), você já vivenciou muitas situações. Houve alguma mais difícil de lidar? E uma mais cômica?

Olha, vou te contar um negócio: o futebol possui os bastidores muito sujo. Mas enfim, eu fiz uma transmissão do UEC 2 x 2 Ipatinga, lá em Ipatinga, no Vale do Aço. Foi em um domingo e na quarta-feira o UEC jogava em Nova Lima, contra o Villa Nova, na grande BH. Então o UEC ficou em Ipatinga. Acabou o jogo. 2 a 2. Fizemos a transmissão e cumprimos o compromisso profissional. Pós isso, nos fomos para uma churrascaria, lá mesmo em Ipatinga e fiquei por lá até 1h30. Quando estava chegando ao hotel, vi alguns jogadores do UEC amarrando lençóis uns aos outros, igual ao que os presos usam quando querem fugir. Fizeram uma corda com estes lençóis e estavam subindo, do lado de fora para os quartos, garrafas de cerveja. E quando eles me viram, falei da seguinte maneira: querem uma forcinha aí? (risos) Eles queriam morrer. E foi muito interessante porque esses jogadores acharam que eu ia divulgar isso na imprensa. E eu tenho um detalhe comigo: eu não quero nem saber de vida particular de jogador e de ninguém. E em cima disso, eu tenho muito respeito por esses jogadores do futebol mineiro. Eu conheço muito jogador de futebol, muito treinador e eles me respeitam muito porque minha pergunta é muito clara. E outra coisa para você garantir respeito: o que você fala no microfone no estúdio, você tem que ir lá e dar oportunidade para o jogador te responder. Eu gosto muito de ouvir os dois lados e o ouvinte que tire as conclusões dele. Até porque eu não sou o dono da verdade. Então, é por isso que temos prevalecido bem no mercado.

- Algum jogo ou gol inesquecível?

Paralelamente ao UEC já fiz muitas transmissões no Maracanã, no Morumbi. Olha, eu tinha 18 anos e transmiti uma final. Estava sozinho no Morumbi. Um jogo entre Palmeiras e São Paulo. Sozinho como repórter, sendo que a transmissão principal era em Belo Horizonte: final do Mineiro entre Cruzeiro e América. Esse jogo, para mim, foi inesquecível. É uma loucura. Agora, o gol que eu nunca vou esquecer, aconteceu em 2008, quando o Uberlândia subiu para a primeira divisão do Campeonato Mineiro. Foi em Araxá. Aquilo foi um teste para cardíaco (risos). O UEC tinha que ganhar do Araxá, em Araxá e torcer para a Caldense perder para o Itaúna. Aos 38 minutos do segundo tempo, o time de Itaúna abriu o placar contra a Caldense, de Poços de Caldas. Um minuto depois, o Uberlândia fez o gol. Nossa, aquilo ali pra mim foi... Nunca vou esquecer aquela adrenalina de Araxá. E o legal disso tudo foi o seguinte: na volta de Araxá, paramos no Retão [posto de combustíveis] para tomar um lanche e, mais tarde, encostaram três ou quatro ônibus da torcida do UEC. Prezo muito a humildade, mas tem coisas que mexem com a gente. Toda a imprensa da Rádio Globo Cultura, da Rádio América, da Rádio Educadora e da Rádio Itatiaia estava presente. Eram quatro emissoras de rádio. E a galera [torcida] do UEC desceu, com toda a imprensa reunida e me pegaram e ficaram me jogando para cima fazendo aquele gesto que todo mundo conhece. Como se eu tivesse alguma responsabilidade na classificação do UEC. E os outros colegas de imprensa ficaram olhando. Fiquei até com muita vergonha, mas enfim, certamente é uma resposta ao trabalho que a gente faz. E essas coisas marcam. Toda vez que eu chego no Retão, eu me lembro dessa cena.

- Na narração esportiva José Silvério, José Carlos Araújo, Willy Gonser, Oscar Ulisses, Alberto Rodrigues e Pedro Ernesto Denardin são destaques. Alguma referência?

Sei que o Willy Gonser e o Alberto Rodrigues são fenômenos em Belo Horizonte e em Minas Gerais toda. Se eu tiver uma carreira 30%, do que eles têm, eu posso me considerar um profissional realizado. Que isso fique muito claro. Mas eu sou fã da narração de São Paulo.

- É uma narração mais rápida e dinâmica.

Sim. Eu gosto da narração paulista. Oscar Ulisses e Silva Junior, no meu ponto de vista, são espetaculares. Antes eu acompanhei o Osmar Santos, que fez toda a revolução na narração esportiva. Era tudo muito robotizado. Aí apareceu o Osmar Santos, cheio de irreverência. Inclusive, o Oscar Ulisses é irmão dele. Uma família brilhante: Oscar Ulisses e Silva Junior. Primeiro que o Silva é muito novo na Rádio Globo, mas o Oscar Ulisses é o meu narrador. Eu não sou muito fã do estilo de narração do futebol carioca que é mais malandra e mais cantada. Mas o José Carlos Araújo, quando está no ar, pode juntar todas as outras emissoras AM e FM do Rio de Janeiro que ele tem mais audiência. E o slogan dele não é por acaso: o fenômeno do Ibope. Mas eu sou fã da narração paulista.

- Quais os seus projetos profissionais para esse ano?

Tenho minhas metas. Inclusive eu planejei minha carreira de acordo com a idade. Eu tenho 36 anos. Até os 44 eu tenho que estar narrando, dentro do meu projeto, em televisão. Mas aí eu vou focar minha carreira na narração. E o meu projeto também é, já no próximo ano, estar na SporTV. É uma meta e a TV [ Integração] já está me ajudando e logo estarei na SporTV fazendo essas transmissões que ninguém quer e que são as que eu mais gosto: futsal e basquete. Tenho convicção, que por aquilo que eu trabalhei e por aquilo que eu estou contatando, o ano que vem eu já tenho que estar na SporTV.

- Então para finalizar, hoje, você é um profissional realizado?

Não. Ainda não. Tenho minhas metas, e entre elas, transmitir três Copas do Mundo e três Olimpíadas. Aí sim e eu só não realizei essa meta por que eu disse um NÃO para a Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Em 1998, a Rádio Itatiaia me convidou e fez uma proposta concreta de trabalho e eu disse não (risos). Mas eu não era preparado. Até porque, naquela época eu estava indo para a reportagem. E repórter não é a minha área. O meu negócio é ancorar programas e narrar futebol. Eu faço reportagem porque rádio do interior exige. Agora, hoje, eu sou um cara preparado para ancorar qualquer tipo de programa e narrar futebol.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A narração esportiva e o radiojornalismo

Sem dúvida nenhuma, a narração esportiva é um exemplo
de radiojornalismo. Nicolau Tuma foi quem realizou a primeira transmissão de um jogo de futebol no rádio brasileiro.

Tuma foi repórter policial até vencer um concurso para ser locutor de rádio, aos 18 anos. Em 1931, seus ouvintes foram surpreendidos com a primeira narração integral de um jogo de futebol. Até então, as transmissões dos jogos se limitavam a boletins esporádicos que informavam os lances principais. A idéia da transmissão completa foi de Nicolau Tuma. Na primeira transmissão (entre as seleções de São Paulo e do Paraná), narrou 10 'goals', como se dizia: o jogo foi vencido pelos paulistas por 6 a 4.
Como no rádio o ouvinte não está vendo o jogo, a narração é rápida, com mais emoção. E cabe ao locutor esportivo, prender a atenção dos ouvintes. Sua locução deve ser vibrante, cheia de entusiasmo e bastante precisa, pois a velocidade da narração é acelerada. Um narrador esportivo deve dominar os aspectos técnicos de cada modalidade esportiva, desenvolvendo um conhecimento geral e detalhado do esporte em si. A transmissão esportiva é carregada de comentários de improviso, que só serão bons na opinião do ouvinte se você dominar bem o assunto. Aí entra a prática jornalística. Também cabe ao locutor lidar com notícias e dados, para somente depois realizar a divulgação de informações.

A narração esportiva também requer bastante cuidado, pois trabalha com alto grau de risco de parcialidade. Tanto narradores quanto leitores têm preferências por determinados times ou atletas.

Mas não foi só o futebol que marcou história no rádio esportivo do país. A cobertura do automobilismo brasileiro na época fascinante de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna também teve destaque nas principais emissoras brasileiras.

O rádio adentra o século XXI provando que tem o seu lugar garantido no coração do torcedor brasileiro. Seguindo a tendência iniciada no final da década de 90, o futebol invade algumas das estações mais populares.

A tecnologia, ao contrário do que muitos pensavam, auxiliou ainda mais a divulgação das emissoras. Com o surgimento da Internet, o rádio ganha nova força. A maioria das estações possui sua própria página, onde é possível que o ouvinte-internauta pesquisar diversos assuntos. É a demonstração que, sem perder a essência, as emissoras de rádio estão se adaptando e se preparando para os novos tempos.

O rádio deve ser mais respeitado quando nos referimos as narrações esportivas. Nessa área Alberto Rodrigues, Edson Mauro, José Carlos Araújo, José Silvério, Oscar Ulisses, Pedro Ernesto Denardin, Ulisses Costa e Willy Gonser são destaques.

domingo, 28 de junho de 2009

Rádio Digital

É o exemplo mais atual da tecnologia em "benefício" do rádio. Consiste na digitalização dos sinais de radiodifusão. Assim como a televisão, o rádio deverá ter sua versão digital. As rádios AM terão a mesma qualidade das atuais FM (transmitindo em estéreo) e as emissoras FMs devem oferecer qualidade próxima à dos CD's.

Além disso, os sinais não sofrerão interferências, além das melhorias em relação ao áudio. O sistema digital oferece ao usuário uma série de interatividades, como a transmissão de textos, imagens e outros serviços multimídia.

O Rádio Digital (segue exemplar na foto) está presente nos Estados Unidos, Canadá e México. No Brasil, as primeiras autorizações para a execução dos testes do sistema de radiodifusão sonora digital, foram disponibilizados inicialmente para as emissoras de São Paulo: Rádio CBN e Rádio Globo e, em Minas Gerais, a Rádio Globo de Belo Horizonte. Uberlândia também recebeu autorização do Ministério das Telecomunicações para realizar transmissões digitais no rádio a partir deste mês.

Para receber os sinais digitalizados é necessário possuir receptores habilitados.

Os novos aparelhos estarão disponíveis para a compra. No início seu custo estará elevado, em virtude da ainda não consolidação da tecnologia digital no país. O Brasil já produz esses equipamentos, porém, é muito difícil encontrar no mercado estes equipamentos.

O Rádio e as novas tecnologias

Muitos questionam se o setor radiofônico pode perder importância no mercado de mídias. Tal indagação se deve as ameaças que novas tecnologias acarretam para os seus negócios.

As rádios que operam por satélite, players digitais de música e a Internet estão lentamente desgastando o domínio das rádios sobre o entretenimento e publicidade locais.
Outro problema que pode inviabilizar os negócios são os anúncios para rádio. Eles se tornaram menos memoráveis e criativos. O rádio enfrenta uma tempestade de ameaças tecnológicas.
O Ipod, e outros players de música deram aos ouvintes a capacidade de ouvir o que querem, quando querem.
A terceira ameaça apontada é a da comercialização excessiva. Para alguns especialistas, o rádio não passa de um pouquinho de conteúdo em meio a um mar de anúncios.
Todavia, existem radialistas que não visualizam o panorama da rádio tão ameaçado. É difícil prever o futuro do rádio, mas observando a sua evolução histórica, os experientes afirmam que podemos estar otimistas: o rádio sobreviveu a todas as ameaças e respondeu aos desafios tecnológicos assimilando-os, transformando-os e adaptando-os ao mesmo tempo em que reforçava as suas principais características. Muitos acham que a inserção da Internet na radiofonia, por exemplo, poderá originar surgimento de um novo público para o nascimento destas modernas tecnologias. Acompanhe a afirmativa de MarshallMcLuhan: "Toda tecnologia nova tende a criar novo ambiente humano. A invenção da escrita e a utilização do papiro criaram o ambiente social dentro do qual pensamos, em conexão com os impérios do mundo antigo. O estribo e a roda criaram ambientes de grande importância. A imprensa inventada por Gutenberg criou um novo ambiente totalmente inesperado - o público".

sábado, 27 de junho de 2009

Repórter Esso

Durante muitos anos, o radiojornalismo se resumiu à leitura de notícias de jornais. Os locutores apenas liam ao microfone, informações que já haviam sido publicadas em outros meios. Essa situação só mudou depois da criação do Repórter Esso, em 28 de agosto de 1941. A Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, colocou no ar a primeira edição do Repórter Esso.
O Repórter Esso foi o primeiro noticiário de radiojornalismo brasileiro. Era patrocinado pela Esso Brasileira de Petróleo (daí a origem do nome) e já existia em cidades como Nova York, Buenos Aires e Santiago, fruto da "Política de Boa Vizinhança" dos Estados Unidos com os países da América Latina, seus aliados na 2ª Guerra Mundial.

Pioneirismo

Repórter Esso foi o precursor em apresentar o noticiário adaptado para a linguagem de rádio. Com o programa, também se criou o hábito de definição de horários. Pela primeira vez, um jornal falado tinha horários certos para entrar no ar: às 18h, 12h55, 19h55 e 22h55.
Também lançou o primeiro guia impresso para orientar radialistas na preparação das notícias.
Os locutores que fizeram maior sucesso no noticiário foram Gontijo Teodoro, Luís Jatobá e Heron Domingues (foto).
Profissional exigente, Heron Domingues, escolhido entre centenas de candidatos para dar voz ao Repórter Esso, dava atenção às leituras detalhadas da notícia para conseguir atrair o ouvinte.
Os slogans mais famosos eram do programa eram: "O primeiro a dar as últimas" e "testemunha ocular da História" O repórter Esso, como já citei,não se limitava a ler as notícias recortadas dos jornais. As matérias eram enviadas por uma agência internacional de notícias sob o controle dos Estados.
No pós-guerra, o Repórter Esso noticiou grandes fatos, entre eles:
- A Guerra da Coréia
- A morte de Getúlio Vargas
- Revolução Cubana

As transmissões foram encerradas em 31 de dezembro de 1968 com Heron Domingues narrando a abertura, e Roberto Figueiredo despedindo-se dos ouvintes bastante emocionado.

O Radiojornalismo

As transmissões radiofônicas

A primeira transmissão radiofônica realizada no mundo ocorreu nos Estados Unidos, no início do século XX . No Brasil, a primeira transmissão se credita à Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Porém, a Rádio Clube de Pernambuco, em Recife, realizou há quatro anos antes, no dia 6 de abril de 1919, suas primeiras transmissões radiofônicas.
"Foi em 1919 que a radiodifusão comercial teve início no Brasil, com a fundação da Rádio Clube de Pernambuco. Mas só em 1923 o Governo autorizou a veiculação de publicidade comercial (os “reclames”, como se dizia na época). O novo veículo de comunicação ganhou impulso, nesse ano, com o surgimento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (Roquete Pinto). Movido a válvulas alimentadas por energia elétrica, o Rádio disseminou-se por todo o país, ocupando pesados móveis nas salas de visita. Na década de 1940 consolidava-se como o mais importante meio de comunicação." (Prof. MS Pedro Celso Campos. Introdução ao Radiojornalismo.Unesp/Bauru. 2003) .

Na década de 1930 ocorre o gênesis das principais emissoras da Era de Ouro da rádio. Em 1931 a Rádio foi inaugurada; em 1934 entra no ar a Rádio Mayrink Veiga e em 1936 é a vez da Rádio Nacional (RJ), a primeira grande emissora brasileira e líder de audiência durante décadas. Em 1937. Assis Chateaubriand inaugura a Rádio Tupi em São Paulo.
"O rádio consolida-se como o grande veículo de notícias e prestação de serviço, sendo insubstituível como mídia que se pode acessar a qualquer momento, em qualquer lugar, enquanto se faz outra coisa. 'As mãos que operam o teclado da Internet podem estar no volante, os olhos que se fixam na tela da TV podem perscrutar a estrada, a atenção necessária à leitura do impresso transforma-se no lazer de ouvir sem esforço'.” (Idem)

Principais características do Radiojornalismo

Segundo a obra Radiojornalismo, de Paul Chantler e Sim Harris, “o radiojornalista precisa sentir-se a vontade com os 'novos e modernos' equipamentos e com as 'antigas e modernas' técnicas radiofônicas. O bom jornalista de rádio deve ser versátil, tecnicamente competente, capaz de trabalhar sob forte pressão do tempo e ter habilidade para enfrentar um grande desastre e uma história alegre no mesmo momento. Os jornalistas de rádio devem ser ágeis, a ponto de gravar uma entrevista ou redigir uma nota sobre um caso ocorrido literalmente alguns segundos antes de a matéria ir para o ar.”

Ainda segundo a obra de Paul Chantler e Sim Harris, as notícias para o jornalismo radiofônico devem apresentar as seguintes características:

Precisão: “Não há desculpas para reportagens desorganizadas e imprecisas. O melhor conselho é: Verifique, verifique e verifique novamente. Há uma velha máxima jornalística, que ainda hoje é importante: ‘Quando estiver em dúvida, pergunte - se ainda estiver em dúvida, jogue fora’”.

Bom Gosto: “Quando for noticiar atos de violência, por exemplo deve-se ter cuidado com a linguagem. Quando se referir a um assassinato por exemplo, basta dizer ‘assassinado’ em vez de ‘brutalmente assassinado’ ou ‘violentamente assassinado’. Tenha cuidado para não aborrecer o ouvinte, desnecessariamente, com detalhes sangrentos de mau gosto."

Equilíbrio e imparcialidade: “É dever de uma redação de rádio apresentar todas as opiniões sobre determinado fato e dar oportunidade de resposta às pessoas criticadas no ar."

Tom: “Além de claro e conciso, um bom boletim de jornalismo radiofônico dever ser firme e incisivo, sem nunca insultar a inteligência do ouvinte.”

Comentários: “Você deve evitar comentários em todas as notícias transmitidas, procurando ser imparcial e objetivo. Lembre-se que a sua visão da notícia pode, às vezes, ser percebida pelo tom de voz que você usa para lê-la no ar. Tome cuidado, e seja simples e direto.

Vale ressaltar que:

- Um texto para rádio deve ser diferenciado. Segundo normas técnicas, o texto para radiojornalismo deve ser ainda mais enxuto e direto do que o texto de outros veículos (TV ou revista, por exemplo), Deve-se utilizar um vocabulário mais próximo possível do coloquial. Deve-se ainda ser descritivo, já que no rádio não é possível a visualização de imagens.
- O ideal é que o jornal seja lido por dois locutores. Essa tática é utilizada para oferecer mais ritmo e agilidade às notícias e evitar o cansaço auditivo.